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Punha-se nua e nem àquela a quem se despia seu corpo se evidenciava. Era invisível, como uma fina lasca de cristal pela qual se podia ver o outro lado; dentro dele o aparente vazio e a transparência quase pura denunciavam a fragilidade do que fora intocado. Imaculada esgueirava os olhos pela fresta entreaberta da porta, ameaçava sair, mas suas pernas inertes enraizavam ao rangido velho do assoalho, vinha a tempestade e silenciava o fecho de luz que trazia lá de fora o mundo. O escuro e o silêncio eram a calma desesperada do que gritava nela, engolindo cada um de seus pensamentos e atirando pra longe, tão distantes quanto podiam até perder-se de si. Perdia a força e a voz, os fortes ventos chacoalhavam cada porta e janela, os estilhaços do que se destruía atingiam-lhe os olhos e rasgando a pele a dissolviam lenta e dolorosamente. Ainda assim, não se podia vê-la.

Elis... Sempre Elis...

se evidEncia sobre a triste e cinza dor do que passou sorri, pois de nada vale sua vida sem o prazer de viver e canta, canta como se nada mais no mundo importasse sorri, pois é jUstamente este o seu dom entre a voz, os sorrisos, os olharEs de carinho se faz inatingível e bela única e distante e choro e sofro a falta dEla, e do arrepio às lágrimas me comove e me eleva (meus olhos choram a falta dos teus) e eLa é tão clara e tão sutil, deixa que os lábios entreabertos soltem a expressão de toda a sua alma pelo som. (meu bem, não tenha medo. No verão que vem nós vAmos à praia) e tudo vai volta pende cai volta e vai. (eu tenho mais de mil perguntas sem resposta)

Tempestade

Vinha caminhando pela rua, sob meus pés a água avançava pesada e turva. A chuva ameaçava - sem vontade - cair outra vez, o mesmo olhar acanhado de sempre; Eu seguia, tão pequena. Olhava em volta e ao redor o medo abria aquele sorriso sarcástico, oferecendo-me o calor do seu infame abraço, ainda assim ansiava o arrepio que me percorria, daquele pouquinho dela que me foi concedido... não havia provado nada mais tentador antes. Ela vinha devagar, tocando-me os lábios, pra que entre lágrimas eu lhe sorrise; O frio cortava a pele, sentia o sangue escorrendo entre os dedos, e a paixão dos seus beijos me arrancava os pedaços, cada gota caindo parecia uma presa a me agarrar... mas é sempre tão doce lhe pertencer. Ela me tinha com tanta força e vontade que não percebia sequer o quão insignificante eu era diante da sua imponência, quanto mais eu me entregava, mais intensa despencava do céu, tomava tudo que estivesse ao alcance. Eu já perdera os sentidos e me arrastava silenciosa no escuro daquel...

Monologando...

Uma amiga minha riu ao ouvir-me dizer que tinha uma auto-estima bastante baixa - convenhamos que a palavra por si já é bastante deprimente. Comentou em outro momento sobre o contrário, como quem não quer nada, como quem não se lembra do que já foi dito. Eu a julguei leviana então, provavelmente, mas isso de fato permaneceu rondando as minhas reflexões sobre mim. Recentemente, ao travar a já conhecida batalha com meu interior - ou seriam interiores? - eu passei a dar mais atenção ao que ela bradava, ainda, vez ou outra por aí. Não me sentir muito realizada ao olhar-me no espelho, ou ter uma convivencia quase de tolerância com minha própria personalidade, ser critica demais com meus próprios defeitos e não aceitá-los jamais, lamentá-los, na verdade... Isso não torna as coisas melhores ou piores... talvez lamentar sempre torne pior, mas ao que me parece, a escolha é minha. Desde que parei de escrever por outras pessoas pra pensar um pouquinho mais em mim, eu comecei a entender um pouquinh...

Um certo tom de Elis

"Ontem de manhã quando acordei, olhei a vida e me espantei... Eu tenho mais de vinte anos" Ora ora... Crise dos vinte não existe, eu penso... Mas de fato enfrento uma das mais agressivas ultimamente, não? Vai passar, to sabendo... ALIÁS a crise se deu por uma nova estratégia de vida minha, a de olhar pro meu próprio umbigo, é um pouco tenso acho, olhar pra dentro e não pros outros... Enfrentar o monstruinho aqui... O meu lobo.. A crise se deu pela minha luta, por mim, mas contra mim.. não é uma loucura? Quando a gente é criança (o que pra mim não faz muito tempo, de fato) pensa que ter quinze anos é o auge da nossa vida, da rebeldia, das amizades, da agitação de uma vida adolescente... mas não é... e quando a gente tem 15, tem certeza que tudo mudará drasticamente quando fizermos 18... Até parece né, que vamos dormir certa noite, com 17 aninhos, e no dia seguinte, ao acordarmos na manhã do 18º aniversário, tudo muda, você se torna completamente independente, já sai dirig...
Quando não me serviam de nada, os conselhos tão racionais de uma desconhecida pareciam a coisa mais certa já dita. Quando preciso que façam sentido, alguma coisa aqui dentro reluta e grita por sua liberdade. Hora de ir pra cama, crianças, deitem e durmam, só o que lhes é de direito. Silêncio. Ora, ora, quanta ironia, o que é que isso quer dizer afinal? Eu não tenho mais força alguma... cansei... Não falo de desistir, falo do meu estado físico mesmo... não tenho mais ânimo, sinto meu estomago doer de fome e recuso-me a comer, como um protesto silencioso, como se não pudesse contar nem a mim mesma que estou a me boicotar... Um lado de mim, quer destruir-me por inteiro, e eu já não sei mais como impedir. É como uma guerra... uma guerra civil, será esta? Violenta, avassaladora... Destruindo qualquer vida que ainda restar ao redor...

"Quando olhaste bem nos olhos meus..."

Hoje eu te vi, quase que pela primeira vez... É, eu acho que foi mesmo uma primeira vez, aquela primeira, depois de muito tempo, aquele olhar nos olhos tão intenso de um novo primeiro encontro, que foi mais um de muitos anteriores. Eu confesso, meu bem, que ver-te ali, tão carregada de emoções, de um jeito que só você saberia fazer, e olhar pros teus traços que me soavam tão familiares, teu semblante calmo e tão cheio de perturbações, ah, ver-te ali me fez derramar uma ou duas lágrimas, que se foram logo, porque meu coração não me permite mais chorar por ti. Senti, sim, eu senti que a perda era inevitável, embora não acreditasse que fosse tão grande o vazio, e com certeza nem faz tanto sentido assim pra aqueles que me cercam, mas tu sabes, e sei que sabes agora como ninguém, que isso não tem a menor importância mais, porque ELES... Eles não sabem nada sobre mim, ou sobre você em mim... A tua presença grita tão alto no meu peito, que ainda me soa estranho pensar que se foi, eu quase pos...