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Quando não me serviam de nada, os conselhos tão racionais de uma desconhecida pareciam a coisa mais certa já dita. Quando preciso que façam sentido, alguma coisa aqui dentro reluta e grita por sua liberdade.
Hora de ir pra cama, crianças, deitem e durmam, só o que lhes é de direito. Silêncio.
Ora, ora, quanta ironia, o que é que isso quer dizer afinal? Eu não tenho mais força alguma... cansei... Não falo de desistir, falo do meu estado físico mesmo... não tenho mais ânimo, sinto meu estomago doer de fome e recuso-me a comer, como um protesto silencioso, como se não pudesse contar nem a mim mesma que estou a me boicotar...
Um lado de mim, quer destruir-me por inteiro, e eu já não sei mais como impedir.
É como uma guerra... uma guerra civil, será esta? Violenta, avassaladora... Destruindo qualquer vida que ainda restar ao redor...

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Trivial

De onde estou, vejo as pessoas, com muita pressa, cruzarem as ruas, sem muito olhar para os lados. Talvez um 'olá' aqui outro ali, nada mais... Ser trivial não te assusta? Pra mim é tão estranho imaginar que talvez duas dessas pessoas, que agora se cruzam sem nem perceberem a presença uma da outra, um dia possam ter se amado o suficiente pra enfrentarem qualquer coisa juntas, que um dia possam ter sido as amigas mais entregues que o mundo já viu, ou talvez que uma delas tenha sido aquela única no mundo em quem a outra confiou... e agora? Agora elas com muita sorte lembram-se de dizer 'bom dia'... Será que só eu, aqui sentada na janela estou percebendo o quanto tudo isso é triste? Será que só meu coração aperta de imaginar que isso acontece também comigo, contigo e com todos nós? É normal apagar assim, sem um mínimo pesar, a presença que outrora fora tão intensa? Todas as rosas, únicas no mundo, serão um dia como todas as outras cinco mil de um só jardim? E eu não poderi...

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E quem disse que eu tenho todas as respostas? Às vezes a gente só quer sentir que pode confiar em alguém, um colo, um porto... A vida ensina que o amor é poder encontrar conforto em alguém. A segurança de um café quentinho e um abraço apertado. Não acredito em contos de fada, eu acredito na realidade que eu tenho. E ela é boa.

Vazio.

Foi-se o tempo em que a página branca bastava pra que as palavras pudessem dizer por mim o que minha voz não sabe fazer... Hoje passei boa parte do meu tempo diante da folha, rabiscando, riscando, rasgando... Nada fluindo dentro de mim... Cansada de falar, de tentar, de me agarrar quase sem forças às pedras enquanto a água de tantas tormentas me arrastavam para o fundo; com as mãos cortadas, sangrando, o rosto inchado de lágrimas, as pernas vacilando de medo... De tanto cansaço acabei me deixando levar, e resolvi calar qualquer mágoa, qualquer dor; Dizem que a água salgada cicatriza, eu deixo a água lavar meu corpo sem me importar pra onde vai; Aos poucos as descargas elétricas da tempestade esfarelam partes de mim e eu sinto que alguma delas está morrendo, e outra, e outra, e outra... É curioso, me sinto cada vez mais vazia, cada vez mais sem mim e ainda assim eu sou jogada cada vez mais fundo pela maré bravia, já não dói mais, começo a me esquecer quem fui. Quem serei agora?