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Monologando...

Uma amiga minha riu ao ouvir-me dizer que tinha uma auto-estima bastante baixa - convenhamos que a palavra por si já é bastante deprimente. Comentou em outro momento sobre o contrário, como quem não quer nada, como quem não se lembra do que já foi dito. Eu a julguei leviana então, provavelmente, mas isso de fato permaneceu rondando as minhas reflexões sobre mim. Recentemente, ao travar a já conhecida batalha com meu interior - ou seriam interiores? - eu passei a dar mais atenção ao que ela bradava, ainda, vez ou outra por aí. Não me sentir muito realizada ao olhar-me no espelho, ou ter uma convivencia quase de tolerância com minha própria personalidade, ser critica demais com meus próprios defeitos e não aceitá-los jamais, lamentá-los, na verdade... Isso não torna as coisas melhores ou piores... talvez lamentar sempre torne pior, mas ao que me parece, a escolha é minha. Desde que parei de escrever por outras pessoas pra pensar um pouquinho mais em mim, eu comecei a entender um pouquinh...

Um certo tom de Elis

"Ontem de manhã quando acordei, olhei a vida e me espantei... Eu tenho mais de vinte anos" Ora ora... Crise dos vinte não existe, eu penso... Mas de fato enfrento uma das mais agressivas ultimamente, não? Vai passar, to sabendo... ALIÁS a crise se deu por uma nova estratégia de vida minha, a de olhar pro meu próprio umbigo, é um pouco tenso acho, olhar pra dentro e não pros outros... Enfrentar o monstruinho aqui... O meu lobo.. A crise se deu pela minha luta, por mim, mas contra mim.. não é uma loucura? Quando a gente é criança (o que pra mim não faz muito tempo, de fato) pensa que ter quinze anos é o auge da nossa vida, da rebeldia, das amizades, da agitação de uma vida adolescente... mas não é... e quando a gente tem 15, tem certeza que tudo mudará drasticamente quando fizermos 18... Até parece né, que vamos dormir certa noite, com 17 aninhos, e no dia seguinte, ao acordarmos na manhã do 18º aniversário, tudo muda, você se torna completamente independente, já sai dirig...
Quando não me serviam de nada, os conselhos tão racionais de uma desconhecida pareciam a coisa mais certa já dita. Quando preciso que façam sentido, alguma coisa aqui dentro reluta e grita por sua liberdade. Hora de ir pra cama, crianças, deitem e durmam, só o que lhes é de direito. Silêncio. Ora, ora, quanta ironia, o que é que isso quer dizer afinal? Eu não tenho mais força alguma... cansei... Não falo de desistir, falo do meu estado físico mesmo... não tenho mais ânimo, sinto meu estomago doer de fome e recuso-me a comer, como um protesto silencioso, como se não pudesse contar nem a mim mesma que estou a me boicotar... Um lado de mim, quer destruir-me por inteiro, e eu já não sei mais como impedir. É como uma guerra... uma guerra civil, será esta? Violenta, avassaladora... Destruindo qualquer vida que ainda restar ao redor...

"Quando olhaste bem nos olhos meus..."

Hoje eu te vi, quase que pela primeira vez... É, eu acho que foi mesmo uma primeira vez, aquela primeira, depois de muito tempo, aquele olhar nos olhos tão intenso de um novo primeiro encontro, que foi mais um de muitos anteriores. Eu confesso, meu bem, que ver-te ali, tão carregada de emoções, de um jeito que só você saberia fazer, e olhar pros teus traços que me soavam tão familiares, teu semblante calmo e tão cheio de perturbações, ah, ver-te ali me fez derramar uma ou duas lágrimas, que se foram logo, porque meu coração não me permite mais chorar por ti. Senti, sim, eu senti que a perda era inevitável, embora não acreditasse que fosse tão grande o vazio, e com certeza nem faz tanto sentido assim pra aqueles que me cercam, mas tu sabes, e sei que sabes agora como ninguém, que isso não tem a menor importância mais, porque ELES... Eles não sabem nada sobre mim, ou sobre você em mim... A tua presença grita tão alto no meu peito, que ainda me soa estranho pensar que se foi, eu quase pos...

Trivial

De onde estou, vejo as pessoas, com muita pressa, cruzarem as ruas, sem muito olhar para os lados. Talvez um 'olá' aqui outro ali, nada mais... Ser trivial não te assusta? Pra mim é tão estranho imaginar que talvez duas dessas pessoas, que agora se cruzam sem nem perceberem a presença uma da outra, um dia possam ter se amado o suficiente pra enfrentarem qualquer coisa juntas, que um dia possam ter sido as amigas mais entregues que o mundo já viu, ou talvez que uma delas tenha sido aquela única no mundo em quem a outra confiou... e agora? Agora elas com muita sorte lembram-se de dizer 'bom dia'... Será que só eu, aqui sentada na janela estou percebendo o quanto tudo isso é triste? Será que só meu coração aperta de imaginar que isso acontece também comigo, contigo e com todos nós? É normal apagar assim, sem um mínimo pesar, a presença que outrora fora tão intensa? Todas as rosas, únicas no mundo, serão um dia como todas as outras cinco mil de um só jardim? E eu não poderi...

A porta.

Verdade mesmo é que eu amei a chuva antes mesmo de saber amar; Com os dedinhos pelos vidros da vida, vendo vida brotando entre nuvens, tirando da terra e da gente o sentido que ela poderia ainda me dar. Atirei-me ao solo entregando-me à minha doce amada. A água escorrendo pela pele, tecendo meus contornos, cofusa e sem rumo, unida ao salgado mar que meus lábios podiam começar a sentir. Embebida de amor, elevei-me na corrente que se formava, despida e alva sentia com intensidade o levar do inicio de uma tempestade. As doces gotas cristalinas tornavam-se pesadas e arrastavam meu corpo já inerte. Jazia imóvel e sem esperanças, no meio do turbilhão de oscilações que minha impetuosa paixão me atirara. Entre uma onda sinuosa e outra senti as fisgadas do sal, penetrando meus ferimentos recém abertos. Tinha em mãos um coração que não era o meu, mas quem segura um coração de vidro, sabe que pode se machucar. O pequeno pedacinho pulsante daquela a quem me entreguei, tentando com esforço ainda ba...

O fim.

O sentimento já irreparável da despedida dilacerava seu coração. Batendo apressado, previa o momento seguinte e tentava em vão pulsar pra bem longe daquele corpo já inerte no chão. Tictac tic tac tic tac Corriam ponteiros desesperados sem direção, o tempo acabara.