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Fila de espera.

A que ponto podemos chegar por alguém? Diante dos últimos acontecimentos eu tenho refletido sobre aquela velha máxima popular de que nunca amamos quem merece, ou alguma coisa assim. A verdade é que tenho tentado bravamente me apaixonar por mim mesma; O problema é que geralmente apaixonar-se pelo seu eu mais verdadeiro, e ter convicção no que você é envolve abrir mão de um bocado de coisas que às nossas mentes pequenas parecem muito interessantes. Aqui estou eu sentada outra vez em frente a uma folha branca sem saber o que dizer. Logo ali, perto de mim uma garotinha me olha com um ar de preocupação e ansiedade; Ela sabe que posso vê-la, mas ainda assim tenta entender porque não a encaro mais como antigamente. Ah, pequena, como queria poder te chamar e ter de volta tudo aquilo que deixamos pra trás, mas você sabe, não é? Sabe que não posso mais me permitir certas coisas... Existem coisas que a gente deve fazer sem jamais entender muito bem o porquê... todos eles agora me espiam pel...

Doçura,

Abri os olhos pela manhã com o sol batendo na cara, os olhos arderam logo que abri. Hoje o dia amanheceu triste, me olhando impaciente desde cedo, eu não pude levantar, cobri os olhos e virei pro lado... Aonde eu poderia ir? Pensei em você durante a noite... Onde você estaria? Há tempos não nos vemos, não sei mais da sua vida... Acho que nunca soubeste da minha. Sinto falta de você aqui, sinto falta de ser tua, de sentir amor, de ser acariciada sem razão.. Eu lembro tão bem do jeito que me olhavas... Acho que a coisa mais bonita que já vi fazerem por mim foi o olhar que você me lançava. Até agora não sei porquê acabou... Fiquei pensando logo cedo na vida que tivemos juntas, dos nossos bichinhos barulhentos e bagunceiros, dos planos e sonhos que compartilhavamos, da saudade, da vontade, dos encontros cheios de abraços apertados, dos beijos e do calor do teu corpo me envolvendo... Eu tentei de tantas maneiras te trazer pra mim, eu tentei tantas vezes te manter aqui.. Não entendo com...

Vazio.

Foi-se o tempo em que a página branca bastava pra que as palavras pudessem dizer por mim o que minha voz não sabe fazer... Hoje passei boa parte do meu tempo diante da folha, rabiscando, riscando, rasgando... Nada fluindo dentro de mim... Cansada de falar, de tentar, de me agarrar quase sem forças às pedras enquanto a água de tantas tormentas me arrastavam para o fundo; com as mãos cortadas, sangrando, o rosto inchado de lágrimas, as pernas vacilando de medo... De tanto cansaço acabei me deixando levar, e resolvi calar qualquer mágoa, qualquer dor; Dizem que a água salgada cicatriza, eu deixo a água lavar meu corpo sem me importar pra onde vai; Aos poucos as descargas elétricas da tempestade esfarelam partes de mim e eu sinto que alguma delas está morrendo, e outra, e outra, e outra... É curioso, me sinto cada vez mais vazia, cada vez mais sem mim e ainda assim eu sou jogada cada vez mais fundo pela maré bravia, já não dói mais, começo a me esquecer quem fui. Quem serei agora?