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A chuva.

Ainda é cedo, e esse frio que insiste em me abraçar, só queria que fosse você. Ah, o teu calor para aquecer, não meu corpo, toda a minh'alma. Lá fora Cai uma chuvinha que, quase sem forças olha, tímida para mim; me convida a sair. Luzes por toda a parte que não fazem nada, me cegam apenas, lentamente. Vozes Vozes soltas não dizem nada; Só a dela permanece, ecoa em minha mente vai, volta, e vai... vai... Se ela soubesse o quanto me tenta seu chamado... Sorri e sussurra que a siga Fecho os olhos para sentir sua presença... Ela se aproxima, pouco a pouco cada vez mais, perto, mais perto, mais... perto... A ilusão de que o que toca meus lábios seja ela me acalma Lágrimas, minhas próprias lágrimas.. apenas... Parece tão próxima penso poder senti-la... engano Por trás dos vidros há ainda a distância (distante) Me consome, me absorve, leva pra longe tão longe... Suspiro.

O que te faz esperar?

Eu tenho escrito por ti, quase sempre usando os mesmos tons, o mesmo embalo... É como soar de algum lugar, um compasso único de sensações, um não sei o que de inspiração que vem me puxando, desde os meus mais intimos desejos, com um ar de pureza que jamais saberia lhe explicar. É engraçado como pequenas coisas nos remetem a estados superiormente mágicos, aqueles que nos dão vontade de absorver lentamente, como se bebessemos deliciosamente um cálice de fluido desconhecido e belo. Às vezes transita ao meu redor uma vibração diferente, como te conhecer há muitos anos, saber tudo sobre você, saber que de algum modo você e eu somos quase uma extensão dupla de um só corpo, às vezes acho que você sou eu, ou que sou você em algum sentido, não sei direito o que acontece, por isso as minhas palavras são tão desconexas e fazem tão pouco sentido. Quando leio o que tu escreves, é como fazer jorrar da minha alma uma cor nova de mim mesma, como descobrir espaços não preenchidos que começam a sorver d...